O dia D
Olho pela janela do quarto e vejo o céu cinza. Não há sol, não haverá estrelas. O vento frio lambe meus cabelos ensebados. Penso em você e, como em todas as outras vezes, nada faço.
Vejo seu número no cristal do meu celular, vejo sua foto estampada no meu monitor. Dessa vez não sinto meu coração bater. O sentimento está trancado na jaula do esquecimento, e fiz questão de esconder a chave.
Alguns dias são piores que os outros. Geralmente há ruídos. Ruídos não me deixam pensar. Algumas vezes ouço música, que evoca outras emoções. Hoje só há o silêncio. E não existe nada que o quebre.
O silêncio tem duas faces. Por um lado pode permitir a virtude da concentração. Por outro, como agora, abre as janelas da mente e permite que ela viaje dentro de si mesma, veja o que existe, o que não existe, e o que está por vir.
Preciso comprar uma iguana. Talvez uma aranha ou uma cobra. Que tal um livro? Dá menos trabalho pra cuidar, e a única coisa que come é o pouco tempo livre que resta.
Ondas cerebrais não me deixam descansar.
Domingo é assim.